O Grupo de Trabalho da Saúde do Bloco de Esquerda condena o uso de força policial desproporcional sobre manifestantes pacíficos e repudia as limitações de acesso a cuidados de saúde e socorro, ocorridos após a carga policial nas madrugadas de 25 de outubro e 1 de novembro.
Em ambas as noites, foram registadas dezenas de feridos, alguns deles com traumatismos em áreas do corpo de elevado risco letal ou de lesões graves (as chamadas áreas vermelhas). Foram também relatados atrasos na chegada dos meios de socorro do INEM, por impedimentos causados pela PSP.
O acesso a socorro médico é um direito humano fundamental e internacionalmente reconhecido. Em casos de emergência médica, como as verificadas, as forças policiais devem facilitar o acesso dos recursos médicos às zonas de emergência e, se necessário, escoltar esses mesmos meios. O contexto de uma operação de ordem pública, que consideramos desadequada e desproporcional, não pode de forma alguma coartar esse direito.
Expressamos a nossa solidariedade com todos os manifestantes que se debatem pela reivindicação do direito à habitação. Este é um direito fundamental que interfere diretamente com o direito à saúde. Uma casa condigna, segura e estável é essencial para a saúde de cada pessoa, para a coesão e estrutura da comunidade e para a robustez de sistemas locais de saúde eficazes.