Resolução da Mesa Nacional - 19 de janeiro de 2026
1. A primeira volta das eleições presidenciais consolidou a viragem à direita da política portuguesa. A passagem de André Ventura à segunda volta e o somatório de votações das várias candidaturas de direita espelham e aprofundam a hegemonia das direitas no atual momento da democracia portuguesa. Neste contexto, destacam-se duas notas. Em primeiro lugar, a clamorosa derrota do candidato do Governo, Luís Marques Mendes, que fragiliza as políticas governamentais, desde a desqualificação do SNS à agressão social que é o pacote laboral. Em segundo lugar, a recomposição das direitas, com a ascensão da extrema-direita e o crescimento do espaço eleitoral do ultra-liberalismo. Esse será um dado de primeira importância da luta política do próximo futuro que exigirá da esquerda posicionamentos corajosos de convergência e de explicitação de alternativas concretas para a vida das pessoas.
2. Catarina Martins levou a cabo uma campanha presidencial corajosa e de grande tenacidade de combate pelos direitos do trabalho, pela igualdade entre homens e mulheres, pela qualificação do SNS, de denúncia do aumento do custo de vida, pelo direito à habitação de todas as pessoas, por uma alternativa de esquerda para as vidas de quem é vítima de um Estado que falha, pela paz, o respeito pelo Direito Internacional e a autodeterminação dos povos. Marcando com clareza as distâncias relativamente aos candidatos do centro e assumindo o combate ao crescimento da extrema-direita. O Bloco de Esquerda orgulha-se da campanha de Catarina Martins, considerando que a sua candidatura reforçou a luta popular e abriu caminhos para o trabalho que a esquerda precisa de fazer.
3. A qualidade da campanha de Catarina Martins, reconhecida por amplos setores sociais, não foi integralmente traduzida em votos. O resultado, embora evidenciando uma capacidade superior à das restantes candidaturas de esquerda de resistência à pressão imposta pelo voto tático, ficou aquém do esperado. Tal como em anteriores eleições legislativas, a pressão do medo condicionou o voto de largos milhares de pessoas e explica, em medida assinalável, a concentração de votos, logo na primeira volta, na candidatura de António José Seguro. O Bloco encara a decisão de todas essas pessoas como um desafio ao qual temos que saber responder. Sabemos que poderemos contar com a grande maioria delas para as lutas concretas pelos direitos do trabalho, pela saúde, pela habitação, pela denúncia do aumento do custo de vida, pela escola pública e pelos direitos de todas as pessoas. Nesse sentido, o Bloco promoverá plataformas de diálogo amplas e iniciativas alargadas que consubstanciarão as lutas mencionadas.
4. A segunda volta das eleições presidenciais será um momento decisivo de luta pela democracia, contra o avanço da extrema-direita. O facto de setores importantes do PSD ou da IL recusarem apelar ao voto contra a extrema-direita revela uma opção lamentável, que aproxima a direita extrema da extrema-direita e contribui para a legitimação do Chega e da sua campanha de ataque ao Estado de Direito Democrático.. Com clareza e sem hesitações, o Bloco de Esquerda apela ao voto em António José Seguro para derrotar André Ventura e a extrema-direita.