Guimarães: Comício do Bloco com Praça cheia

21 de Julho 2009
Comício do Bloco em Guimarães. Foto de Paulete MatosCerca de 300 pessoas assistiram à apresentação da candidatura do Bloco aos órgãos autárquicos de Guimarães, num comício realizado na Praça da Oliveira. Alberto Fernandes e Joaquim Teixeira encabeçam as listas do Bloco à Câmara e Assembleia Municipal da cidade. A Saúde como direito fundamental e os banqueiros que "vão aos bolsos das pessoas" pautaram a intervenção de Francisco Louçã. Vê as fotos do comício .

A primeira intervenção, perante uma Praça da Oliveira repleta, pertenceu a uma jovem candidata do Bloco no concelho de Guimarães. Ângela Alves (21 anos) sublinhou que a exclusão social, a pobreza e o desemprego, estão a aumentar em Guimarães, e defendeu uma política solidária que saiba atender a cada freguesia e não apenas ao centro do concelho. Exigiu também medidas de apoio aos jovens. "Os jovens não têm futuro, estão cada vez mais condenados ao desemprego, ao trabalho precário, ou a viverem até muito tarde em casa dos seus pais. O Bloco quer dar a volta a isto", frisou a mais jovem candidata do Bloco em Guimarães.

Joaquim Teixeira, que encabeça a lista à Assembleia Municipal, denunciou os negócios da Câmara com os privados, exemplificando com o caso das piscinas. "O público investe e o privado lucra" acusou o candidato do Bloco. Joaquim Teixeira lembrou também que, na Assembleia Municipal de Guimarães, o Bloco "propôs um provedor do Munícipe, que possa apoiar os cidadãos, neste concelho que tem 160 mil habitantes". Infelizmente, "este PS cada vez menos socialista chumbou a proposta", concluiu Teixeira.

De seguida, Alberto Fernandes felicitou Guimarães por se preparar para ser Capital Europeia da Cultura, mas exigiu mais: "precisamos também de ser capital europeia da igualdade, da inclusão, da educação para todos e do bem estar dos cidadãos". O cabeça de lista do Bloco à Câmara de Guimarães defendeu ainda a implementação do Orçamento Participativo na cidade e a redução do preço dos serviços públicos, como a água e o saneamento. E teve ainda tempo para denunciar o actual Presidente da Câmara - António Magalhães (PS) - pela sua "febre de criação de novas empresas" apenas para "oferecer benefícios e lucros aos amigos".

"O PS virou as costas às pessoas"


Pedro Soares - cabeça de lista do Bloco às legislativas no distrito de Braga - lembrou que Guimarães é um dos concelhos mais sofridos do país, integrando a zona do Vale do Ave, fustigada pelo desemprego. "No Vale do Ave há 50 mil desempregados, a taxa de desemprego é quase o dobro da média nacional" lembrou Pedro Soares, que acusou o governo de ter ignorado uma recomendação aprovada por unanimidade no parlamento e que previa apoios sociais para os jovens e desempregados daquela região. "O PS virou as costas às pessoas e aqui no concelho a única coisa que fez foi ocupar partidariamente lugares do aparelho de Estado" acusou Pedro Soares, que deu um exemplo: "Em Viera do Minho, o director da unidade da Segurança Social - candidato pelo PS - entregou a gestão do Rendimento de Solidariedade de Inserção (RSI) a uma associação provada presidida pela sua esposa, precisamente para fazer campanha pelo PS" denunciou o candidato do Bloco."

"A saúde não é um negócio"


Francisco Louçã encerrou o comício concentrando a sua intervenção nas questões da saúde e das fraudes bancárias. O dirigente do Bloco de Esquerda referiu-se à notícia desta segunda-feira de que existem 13 hospitais responsáveis por tratamentos oncológicos mas que não possuem nenhum médico especialista. "A democracia está incompleta quando o Sistema Nacional de Saúde é tratado desta forma" frisou Louçã, lembrando também que existem 700 mil pessoas sem médico de família. "Há cerca de 2500 jovens médicos que fugiram do país para tirar o curso lá fora porque aqui não tinham lugar. É preciso trazê-los de volta e oferecer-lhes condições para melhorarem o nosso Serviço Nacional de Saúde", apontou Louçã, que acusou também o governo PS de "fechar serviços onde havia apetites de clínicas privadas". "A saúde não é um negócio, a saúde faz parte da democracia" destacou Louçã.

No final, o dirigente do Bloco de Esquerda voltou a virar baterias contra os banqueiros e os governantes que depredam o dinheiro de todos. "Não há nada pior que um ministro e que um ex-ministro. Governam contra o povo e quando saem têm lugares de topo assegurados em administrações de empresas ou de bancos, tudo entre amigos". E quanto aos banqueiros: "como dizia Ricardo Araújo Pereira - dos Gato Fedorento - dou uma mão aos banqueiros quando eles tirarem as mãos dos nossos bolsos", concluiu Louçã.