"Há uma vasta operação de despejos arbitrários e violentos levados a cabo pela Cãmara do Porto (CMP)", diz José Castro. Uma operação que "tem o objectivo de dar o impulso final na limpeza do terreno do bairro de São João de Deus".
O Bloco/Porto prometeu contestar esta atitude da Câmara na próxima Assembleia Municipal,
marcada para segunda-feira para discutir uma moção de censura do Bloco ao executivo de Rui Rio.
O Bloco apresentou dois casos concretos, de uma família que vive nesse bairro desde 1974, em que o casal de inquilinos se ausentou para prestar assistência a uma filha, deixando na casa dois dos seus filhos. A CMP invocou o abandono da casa por parte do casal e demoliu-a no passado dia 18 de Março, sem realojar o casal.
Outro caso, no bairro da Pasteleira, deixou o inquilino sem casa, por ter tido um acidente de trabalho na Irlanda e solicitado a presença da companheira. A casa ficou temporariamente sem ninguém e a Câmara não perdeu tempo para accionar o despejo, apesar de existir um atestado da situação.
"Há uma nova vaga de despejos nos bairros municipais do Porto", diz o deputado municipal José Castro. Rui Rio invoca a "ausência de habitação" como motivo para despejar dezenas de famílias, ao abrigo de uma lei de 1945, "do tempo do Salazar, criada para servir poderes ditatoriais". No caso do Bairro São João de Deus, há óbvios interesses imobiliários por trás destas acções.