Louçã defende SNS livre de "economicismo mesquinho" em visita ao hospital da Guarda

13 de Fevereiro 2008
Foto Paulete MatosA campanha em defesa do Serviço Nacional de Saúde prosseguiu esta terça-feira com Francisco Louçã a visitar o Hospital Sousa Martins na Guarda. Uma oportunidade para defender "um novo hospital que aproveite o que se pode aproveitar das antigas instalações". À noite houve uma sessão pública com 50 pessoas na Covilhã com muitas críticas à política de saúde do governo.

 

"O Governo tem ido por maus caminhos e tem criado até patologias e doenças no SNS", afirmou Louçã, exemplificando com o encerramento de serviços e a aplicação de taxas moderadoras. "É preciso acabar com esta visão de que a saúde é um negócio, que a saúde tem que fazer lucro", defendeu o dirigente bloquista.

O Bloco continua a desenvolver iniciativas em defesa do SNS, com a recolha de assinaturas para a petição a entregar no parlamento em Março. "É indispensável ter uma nova visão do serviço de saúde", disse Louçã, acrescentando que "todo o sistema tem de deixar de ser um sistema hostil e violento para as pessoas e passar a ser um sistema amigável das pessoas".

"Por isso - apontou -, é que é preciso acabar com a violência que são as taxas moderadoras na urgência, no internamento ou, em geral, no serviço de saúde".

Francisco Louçã também defendeu a urgente requalificação e ampliação do centenário Hospital Sousa Martins, onde foi recebido pela administração e visitou o bloco de partos e as unidades de Oncologia e de Cuidados Intensivos (encerrada para obras de ampliação, devendo reabrir em Março).

"É no interior que está a maior penalização das populações", observou, considerando que "há uma perseguição ao interior com uma visão economicista e mesquinha que leva o serviço de saúde a desequilibrar-se e a desorganizar-se".

Louçã concluiu com um aviso sobre o desperdício de milhões que se evaporam na gestão hospitalar: "ao pensar [na construção de novos hospitais] utilizemos muito bem o dinheiro e não percamos tempo a entregar, até dois mil e quarenta e tal, à gestão da iniciativa privada, que gere pior que o público", afirmou, numa alusão aos dez hospitais que o actual governo tenciona construir no âmbito de parcerias público-privadas.