Bloco apresenta propostas de alteração ao OE'2008

15 de Novembro 2007

estrelabra.jpgO Bloco de Esquerda entregou na Assembleia da República as suas propostas de alteração ao Orçamento de Estado, incidindo primordialmente em quatro matérias: Protecção dos contribuintes e transparência fiscal; Política Ambiental; Política de emprego e direitos sociais; e Política de Saúde. Aqui ficam as 50 principais propostas.

Norma anti-demagogia sobre a inflação não prevista
 
·      Repõe o valor salarial perdido pelos erros de cálculo da inflação em 2007 e 2008 e cria condições de credibilidade para a previsão anual da inflação.
 

Emprego e direitos sociais
 
·      Redireccionar 1% do IVA para o IVA Social  para garantir a extensão do Complemento Solidariedade para Idosos para 375 euros, mediante uma nova condição de recursos (capitação do agregado familiar inferior a 375 euros).
 
·      Reforço das verbas para o RSI, compensado o aumento do numero de beneficiários que não é abrangido pela proposta do Governo.
 
·      Juro bonificado em 1%, na compra de habitação própria, para os desempregados com sobreendividamento.
 
·      Proibição da contratação de trabalho temporário nas administrações públicas.
 
·      Criação de um programa de contrato de formação/emprego, garantindo para os empregados de longa duração uma formação profissional associada a contratos de trabalho de, pelo menos, três anos.
 
·      Garantia do acesso à licença e subsidio de maternidade ás professoras contratadas.
 
·      Licença de maternidade a 100% durante cinco meses.
 
·      Extensão da dedução fiscal, por dependentes, dos 3 para os 10 anos.
 
·      Fim das penalizações à licença em caso de gravidez de risco.
 
·      Garantia de utilização de 2% a 4% da parte do desconto dos trabalhadores para a segurança social no fundo de capitalização público.
 
·      Reforço das verbas para a Comissão de Igualdade de Género.
 

Estradas de Portugal e REN
 
·      Revogação dos DL que transformam a Estradas de Portugal, EPE em Estradas de Portugal, SA.
 
·      Cancelar a privatização da REN prevista para 2008.
 
 
Política fiscal

·      Alteração das regras fiscais para as provisões dos bancos, garantindo um mínimo de 20% de IRC.
 
·      “Son of the boss”: Contra a fraude fiscal, proposta de não considerar como custo fiscal as menos valias de vendas de partes sociais a empresas com relações privilegiadas.
 
·      Aplicação do englobamento.
 
·      Obrigatoriedade de declaração exaustiva de todos os rendimentos.
 
·      Obrigatoriedade de documentação de todas as ajudas de custo.
 
·      Retomar a tribulação de mais valias bolsistas, como estava previsto no Governo Guterres.
 
·      Registo obrigatório de todos os movimentos de capitais internacionais acima de 10 mil euros.
 
·      Pagamento de um mínimo de 25% de imposto para todas as operações em zonas francas.
 
·      Definição de residente para efeitos de combate à evasão com registo nas zonas francas.
 
·      Taxa autónoma para não residentes com estabelecimentos estável em Portugal.
 
·      Revogação da penhora sobre créditos futuros.
 
 
Condições fiscais para cidadãos com deficiência
 
·      Recupera os direitos dos cidadãos deficientes.
 
Defesa do ambiente e habitação
 
·      Ao nível do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS):
·      Nas deduções à colecta dos encargos à habitação beneficiar os imóveis classificados na categoria A em certificado energético válido.
·      Ao nível do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA):
·      Nos bens com IVA a 5%:
·       excluir os produtos alimentares que possam provir de culturas geneticamente modificadas (OGM) e incluir os produtos alimentares indicados para dieta vegetariana;
·      incluir apenas os fitofármacos e fertilizantes destinados à agricultura biológica, produção e protecção integrada;
·      produtos reciclados, nomeadamente os passíveis de serem utilizados na construção/reabilitação de imóveis e pavimentos;
·      Nos bens com IVA a 12%:
·      excluir os equipamentos destinados à pesquisa de petróleo e gás natural, bem como à produção de energia a partir da incineração e co-incineração;
·      incluir os equipamentos destinados a uma utilização mais eficiente da água e à sua reutilização, bem como à reciclagem mecânica e biológica de resíduos.
·      Ao nível do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP):
·      Retirar a isenção incidente sobre os produtos petrolíferos e energéticos consumidos nas instalações sujeitas ao Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão;
·      Excluir os voos domésticos, excepto os de ligação às e entre Regiões Autónomas, da isenção ao ISP, por existirem alternativas viáveis, eficientes e menos poluentes para estas ligações, como seja a ferrovia;
·      Retirar a isenção do ISP incidente sobre os combustíveis fósseis utilizados pela indústria eléctrica, responsável por elevadas emissões de gases de efeito de estufa, incentivando-se a reversão do actual modelo de produção de energia para fontes renováveis e não poluentes;
·      Retirar a isenção do ISP incidente sobre os produtos petrolíferos e energéticos obtidos a partir de óleos usados ou de resíduos que sejam usados como combustível nos processos de incineração e co-incineração.
·      Ao nível do Imposto sobre Veículos (ISV):
·      Redução de 70% do montante do imposto os veículos que se destinem a serviços de «car-sharing» disponibilizados pelas autarquias, como forma de melhorar a mobilidade urbana.
·      Ao nível do Imposto Municipal de Imóveis (IMI):
·      Retirar a isenção do IMI sobre os edifícios do aparelho central do Estado;
·      Isenção do Imposto Municipal sobre Imóveis em relação a prédios urbanos objecto de acções de reabilitação por um período de dez anos.
·      Introduzir taxas progressivas sobre os prédios urbanos que se encontram devolutos, na razão directa do período de tempo que dura a sua desocupação, combatendo a retenção especulativa de imóveis;
·      Aumentar as taxas incidentes sobre os prédios que sejam propriedade de entidades sujeitas a um regime fiscal claramente mais favorável, como sejam os off-shores;
·      Introduzir a possibilidade dos municípios majorarem até 50% a taxa aplicável aos prédios urbanos afectos a comércio ou serviços quando estes não cumpram os requisitos de acessibilidade aos cidadãos com deficiência.
 
·      Outras medidas sobre habitação:
·      Proibição da transferência de bairros para entidades privadas.
 
·      Ao nível do Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF):
·      Retirar a isenção do IMI sobre os grandes empreendimentos turísticos.
·      Introduzir um regime de apoio à habitação protegida para arrendamento, concedendo benefícios fiscais aos proprietários que acordem em manter, por um período de 10 ou 25 anos, rendas abaixo dos valores especulativos praticados no mercado, incentivando o recurso ao arrendamento.
 
Saúde
 
·      comparticipação dos medicamentos nicotínicos, sujeitos a prescrição médica, por 69%.
 
·      Programa nacional de rastreio oncológico, definindo o rastreio voluntário dirigido a populações de risco, para permitir diagnóstico precoce 4 prioridades: cancro colo-rectal, da mama, da próstata e do colo do útero
 
·      Anulação das taxas de acesso às cirurgias e internamentos.
 
·      PIDDAC:
  Modernização e criação da rede de centros de saúde de acordo com as necessidades sociais.