Entregar o espaço rural às suas populações

2 de Setembro 2007

Romeiros de São MiguelNo debate sobre as Novas Vivências da Ruralidade, Oliveira Baptista frisou que a ruralidade não é hoje uma realidade estritamente ligada à produção agrícola: na realidade do espaço rural surgem já actividades ligadas a esse espaço, diversas da tradicional exploração agrícola e florestal, fruto dum esforço das populações autóctones conscientes da necessidade de valorizar o seu património cultural e natural.



Sabendo-se que o espaço rural não é viável com a continuação de actividades exclusivamente agrícolas, esse esforço no sentido de fazer emergir actividades novas deve ser observado com atenção e apoiado, urgindo pensar-se em novos modelos de desenvolvimento que tenham em conta a especificidade da baixa densidade populacional dessas áreas e que passarão pela valorização do seu património e história, abrangendo a protecção da natureza.

Assiste-se, por parte dos poderes locais, a uma preocupação com a exploração dos recursos dessas áreas rurais pela valorização do património cultural e natural (muitas vezes inventando patrimónios que estão longe da autenticidade reconhecida pela população conhecedora da sua história), mas entregando essa exploração a grupos externos, que não fixam os resultados dessa exploração nesse mesmo espaço.

Os agentes da dinamização do espaço rural devem ser as populações - quem melhor que as populações locais para explorar a sua relação de sempre com o seu espaço, mantendo o mundo rural vivo?