O Bloco de Esquerda de Coimbra condena veementemente o modo como têm decorrido as demolições na Baixa de Coimbra. A forma apressada, atabalhoada e profundamente incompetente como o processo tem vindo a ser levado a cabo pela Metro Mondego, com a cumplicidade da SRU, constitui uma evidente falta de respeito pelos moradores e comerciantes da zona, pelo património construído, pela memória do espaço e da cidade. Denota, sobretudo, da parte dos responsáveis por estas entidades, às quais está entregue a reabilitação da Baixa, um manifesto e gravíssimo desprezo pelo conceito de recuperação e reabilitação que exige soluções adequadas que compatibilizem os traçados urbanos, as fachadas e as técnicas de construção, com as exigências modernas de habitação e ocupação dos espaços. Para a Câmara de Coimbra, reabilitar e requalificar a Baixa da cidade consiste na solução mais fácil e mais barata de tudo demolir para construir de novo - estratégia que está a anos-luz dos modernos conceitos de recuperação exigíveis para esta zona tão sensível. Esta política de tudo arrasar, grau zero da recuperação e reabilitação urbana, levanta legítimas interrogações sobre se, por detrás de uma lógica economicista, não se mobilizarão interesses de especulação imobiliária.
Igualmente, a pressa com que as demolições ocorrem, numa altura em que o eléctrico rápido de superfície está bem longe de chegar a Coimbra, suscita fortes suspeitas quanto à finalidade do canal que lhe é supostamente destinado e à legalidade do próprio processo. O Bloco de Esquerda considera absolutamente inaceitável a utilização dessa avenida central para qualquer outra finalidade que não seja a anunciada: preparação das infra-estruturas de suporte à futura passagem do eléctrico rápido de superfície e, até lá, facilitar a circulação exclusiva de transportes públicos colectivos.
Coimbra, 15 de Janeiro de 2007
Bloco de Esquerda / Coimbra
No final de 2006, a Câmara Municipal de Coimbra surpreendeu a cidade, e em particular, os moradores e comerciantes da R. Direita e adjacentes, com a declaração de um estado de alerta. A estes cidadãos e cidadãs foram dadas apenas 48 horas para abandonar habitações e estabelecimentos comerciais. Objectivo: levar a cabo uma série de demolições para abrir o canal onde deverá passar o eléctrico rápido de superfície. Já foram abaixo uma série de edifícios, entre os quais alguns que a Sociedade de Reabilitação Urbana pretendia preservar, devido ao valor patrimonial, nomeadamente um prédio do séc. XVI. A pressa, a forma atabalhoada e incompetente como o processo tem vindo a ser conduzido, é inaceitável e levanta interrogações. Não é assim que se recupera e reabilita uma zona nobre da cidade.