O Bloco de Esquerda relembra o acordo feito em 1997 entre o governo PS e o grupo Mello. A conversão da antiga Lisnave resultou numa nova empresa de reparação naval, limpa de dívidas e de trabalhadores com direitos. Este acordo assegurou a permanência de todos os trabalhadores na Gestnave, ficando a nova Lisnave encarregue da sua ocupação na reparação naval.
Em 2006, o governo de José Sócrates leva a cabo a extinção da Gestnave, ao aplicar a decisão que já vinha da governação de Santana Lopes. A nova Lisnave bloqueou a integração dos trabalhadores da Gestnave ao exigir uma indemnização milionária, preferindo contratar através de subempreiteiros. Hoje, um trabalhador assina um contrato de 9 meses e é obrigado a sujeitar-se a um banco de horas, sem direito a horas extraordinárias. Foi assim que (parafraseando o Presidente nesta sua visita) foi possível esta "empresa portuguesa reinventar-se".
Os quadros fixos da Lisnave são hoje cerca de 270 trabalhadores. Mas ali trabalham muitas centenas de precários, chegando em certos períodos a mais de 3 mil operários pagos à hora por subempreiteiros.
Para o Bloco de Esquerda, o não cumprimento do acordo pela Lisnave, no que se refere à ocupação dos trabalhadores da Gestnave no trabalho do estaleiro, é um escândalo. Com a sua visita e os seus rasgados elogios à gestão da Lisnave, Cavaco Silva branqueia efectivamente esse processo cometido contra o Estado e contra os milhares de trabalhadores da maior empresa de restauração naval da Europa e uma das cinco maiores do mundo.
Comunicado da Coordenadora Distrital de Setúbal do Bloco de Esquerda
Na sua visita, nesta terça-feira, à Lisnave, o Presidente da República enalteceu o investimento no sector marítimo, mas fingiu desconhecer o outro lado da Lisnave, em que os vínculos precários atingem a esmagadora maioria dos trabalhadores da empresa.