Na rua, activistas do Bloco distribuíram folhetos lembrando que a precariedade, o desemprego e os baixos salários são dos maiores problemas dos jovens e da população em geral, apontando a sua ausência entre as principais preocupações da agenda presidencial.
Portugal tem hoje o maior número de desempregados de sempre. No Concelho de Sintra são mais de 20 mil. Entre contratos a prazo e prestação de serviços, existem cerca de 2 milhões de precários e precárias, 1/3 da força de trabalho do país. Os e as jovens à procura do primeiro emprego e os trabalhadores precários ou com baixos salários estão entre os grupos vulneráveis à pobreza. Apesar da suas qualificações de excelência, as novas gerações viverão pior que os seus pais.
"A precariedade é largamente promovida pelo Governo e pelas Câmaras, através da contratação de milhares de trabalhadores em regime de outsourcing para, na Administração Central, nas Autarquias ou Empresas Municipais, ocuparem postos de trabalho efectivos, sem direitos e sem remuneração condigna. A Câmara de Sintra não fica isenta de responsabilidades nesta matéria. Por tudo isto, lamentamos que o roteiro da Juventude passe ao lado da realidade", declarou André Beja, dirigente do Bloco.
André Beja considerou ainda que tal esquecimento não pode ser considerado um acidente de percurso: "O desemprego gera mais precariedade e baixos salários, que são a base de uma forma de organização social que faz do lucro e da exploração a lei. Tal mudança social está a ser aplicada pelo governo de Sócrates, e aplaudida por quem apoia e sempre apoiou Cavaco Silva: os patrões, o partido de Pedro Passos Coelho e a restante direita".
O Bloco de Esquerda levou hoje o tema da precariedade ao Roteiro da Juventude que o Presidente da República está a levar a cabo. À chegada de Cavaco Silva ao largo do palácio da Vila de Sintra, para visitar uma feira de jovens empreendedores, foi aberta uma faixa no edifico fronteiro aquele terreiro, com a inscrição “País precário, Abril ao contrário”.