O Bloco de Esquerda considera que haverá um atentado à democracia caso as autoridades de Bruxelas passarem a ter direito de "visto prévio" relativamente aos orçamentos nacionais dos Estados membros da União Europeia.
Para José Manuel Pureza, a União Europeia prepara-se para "cometer os mesmos erros de políticas económica e social que conduziram à actual crise". "Trata-se de um espécie de fascínio pelo abismo por parte da direcção política europeia. É isso que se avizinha cada vez que se reúnem os estadistas da União Europeia", sustentou.
O líder parlamentar do Bloco de Esquerda insurgiu-se ainda contra "a cada vez maior pressão por parte da Comissão Europeia e dos órgãos de direcção política da União para que haja uma fiscalização dos orçamentos nacionais pelas autoridades comunitárias".
"Há mesmo quem coloque sobre a mesa a hipótese de se fixar um visto prévio relativamente aos orçamentos nacionais. O Bloco de Esquerda considera que se trata de um atentado à democracia", frisou.
Segundo José Manuel Pureza, "a regra básica da democracia é que não há decisões em matéria de receitas e despesa, não há imposições financeiras, sem o consentimento das populações e dos seus representantes".
A posição foi expressa pelo líder parlamentar do Bloco de
Esquerda, José Manuel Pureza, no final de uma audiência com o
primeiro ministro, José Sócrates, sobre a cimeira de chefes de
Estado e de Governo da União Europeia.