"Coragem para mudar" é o mote da candidatura em Vila do Conde

12 de Julho 2009
Apresentação da candidatura a Vila do Conde. Foto Paulete MatosMiguel Vital e Armando Herculano são os primeiros candidatos bloquistas à Câmara e Assembleia Municipal de Vila do Conde. A apresentação da candidatura foi na Biblioteca Municipal, numa sessão que contou com a presença de Francisco Louçã, João Semedo e Isabel Lhano.
Num auditório que encheu para ouvir os candidatos, Miguel Vital apresentou o lema da campanha e criticou a maioria absoluta que tem subjugado a sociedade civil vilacondense à manutenção do poder autárquico do PS. Em seguida expôs algumas das linhas programáticas lançadas para o debate que continua aberto à participação de todos. A falta de saneamento básico em muitas freguesias, a poluição do rio Ave e dos ribeiros, a construção em cima do cordão dunar e em leitos de cheia, a especulação imobiliária que afasta os jovens da cidade e a falta de programação regular nos espaços culturais já construídos no concelho foram algumas das preocupações avançadas pelo antigo dirigente sindical da Função Pública do Norte.

"É preciso romper com as políticas do costume e dar voz aos munícipes", defendeu Miguel Vital para apelar à penalização nas urnas do "paternalismo e servilismo" que o PS instalou em Vila do Conde. "Um vereador do Bloco é importante, até porque não seria saudável substituir uma maioria absoluta do PS por uma do PSD", afirmou o candidato à vereação.

Minutos antes, já Armando Herculano tinha feito as contas do que está em jogo na próxima eleição autárquica, referindo que o Bloco está perto de eleger um vereador, ganhando-o ao PS, que assim obteria os mesmos vereadores que o PSD. E lembrou aos presentes o que aconteceu quando o Bloco entrou na Assembleia Municipal nas últimas eleições. "Durante 30 anos, os partidos que tinham um deputado podiam falar meia hora, mas com a entrada do Bloco o tempo de intervenção foi reduzido pela maioria PS para apenas cinco minutos", disse o primeiro candidato à Assembleia Municipal, para quem o objectivo passa também por reforçar a representação do Bloco de Esquerda neste órgão autárquico

“O Bloco será forte pela sua confiança, pelas suas convicções e porque representa a vontade das pessoas que, em todas as cores da paleta da esquerda, sabem que agora é hora de juntar forças e que é a hora de mudança”, afirmou Francisco Louçã, na intervenção de encerramento com críticas à maioria PS que “só pode ser derrotada com uma esquerda de força, de confiança, de determinação, uma esquerda que lembra sempre ao primeiro ministro que prometeu 150 mil empregos novos”.

Louçã comentou também o artigo de Manuel Alegre no Expresso, dizendo que o histórico socialista "constata que há um gravíssimo problema de governabilidade no nosso país e tem razão”, porque “há uma crise política no desastre económico que estamos a viver”. O coordenador bloquista afirmou que a crise de governabilidade começou quando Alegre e outros deputados do PS se juntaram à oposição de esquerda para votarem contra o Código de Trabalho, acrescentando que “se a política serve para se atirar contra o emprego dos trabalhadores, então tem de ser derrotada”.

A apresentação da candidatura na Biblioteca Municipal teve também a presença de Isabel Lhano, mandatária da candidatura de Vila do Conde, e do deputado João Semedo, primeiro candidato às legislativas no distrito do Porto.