Bloco prepara interpelação ao governo sobre política económica

25 de Fevereiro 2009
Visita à Mitsubishi do Tramagal prepara interpelação ao governoO Bloco de Esquerda confronta o Governo no dia 26 Fevereiro com a “limitação das medidas anti-crise” e vai insistir no “alargamento do subsídio de desemprego para fazer face a uma necessidade, uma urgência e uma emergência social”. Francisco Louçã apresentou os temas da interpelação na fábrica da Mitsubishi do Tramagal, onde Sócrates anunciou 20 milhões de investimento e que entretanto despediu 80 trabalhadores.

 

 

“Vamos confrontar o Governo com os problemas do emprego e dos direitos sociais e com a estrutura dos dossiers e dos problemas verificados com os bancos privados”, disse Louçã, acrescentando que o Bloco “vai tornar claras” as alternativas que o partido apresenta em todos os dossiers financeiros, “como sejam a gestão das taxas de juro, a relação com os bancos, o crédito às famílias, o combate aos juros especulativos e a política económica e social do Governo”.

“O primeiro-Ministro José Sócrates anunciou aqui no Tramagal, em Outubro último e ladeado pelo presidente da Mercedes, investimentos na ordem dos 20 milhões de euros, mas desde então já foram despedidos 80 trabalhadores com contrato a prazo”, disse Francisco Louçã.

“É preciso proibir estes despedimentos abusivos e que são completamente inaceitáveis num quadro de efectiva responsabilidade social, pelo que entendemos que o Governo tem de ser intransigente e não pode ser facilitista em relação a estes despedimentos”, afirmou.

Segundo disse, “é nos anos de maior dificuldade que as empresas têm de devolver aquilo que lucraram nos tempos das ‘vacas gordas’ e a Mitsubishi pode estar a produzir agora metade do habitual, mas tem a obrigação de promover a estabilidade e o emprego”.

“Veja-se o caso dos quatro maiores bancos portugueses que, só em 2008, facturaram quatro milhões de euros de lucro por dia e que querem agora dispensar dois mil trabalhadores com contrato a prazo”, sublinhou.

Francisco Louçã afirmou que a União Europeia e as políticas do Banco Central Europeu de serem os responsáveis pela recessão “por não terem conseguido antecipar medidas de combate à crise”.

“É preciso incrementar uma política de finanças públicas que responda e ajude à criação de emprego e deve ser a União Europeia a promovê-lo, pois foram as políticas do Banco Central Europeu que ajudaram a criar a recessão. Sendo eles os responsáveis por ela, por ela têm de responder”, disse Francisco Louçã à margem de uma visita à fábrica da Mitsubishi no Tramagal, Abrantes.

“Era o que mais faltava que a União Europeia se atrevesse a vir ainda cobrar o que quer que seja ao nosso País pelo facto de haver um défice em função de uma recessão que eles próprios criaram”, afirmou.