Governos e Banco de Portugal "são negligentes com off-shores", diz João Semedo

27 de Janeiro 2009
Imagem removida.A "desatenção, desinteresse e negligência" com que o Banco de Portugal trata a questão das 'off shores' têm sido "consentidos pelo ambiente favorável criado por sucessivos governos", afirmou o deputado João Semedo, que tem participado nas comissões parlamentares sobre a fraude bancária e as falhas da supervisão.

O deputado João Semedo disse que a listagem alegadamente entregue pelo BCP à entidade supervisora que incluía cinco 'off shores' que terão sido posteriormente retiradas num segundo documento, e que foi noticiada pelo Diário de Notícias, vem "apenas confirmar duas situações que já são conhecidas".

"Por um lado, que os bancos escondem tanto quanto podem as 'off shores' que utilizam como plataformas para operações financeiras e, por outro, a desatenção, desinteresse e negligência com que o Banco de Portugal trata essa questão", sustentou, em declarações à agência Lusa.

Para o deputado, a displicência em relação às 'off shores' está "enraizada na cultura política", porque apesar de "muitos discursos inflamados, nada foi feito".

João Semedo considera que esta é "mais uma questão política", pelo que defende a criação de um quadro regulamentar e normativo para este "dinheiro escondido, em negócios escondidos, cujo rasto se perde".

Segundo o deputado, o Bloco está a preparar iniciativas legislativas nesta área, que serão apresentadas em breve e que se destinam a diminuir e limitar o peso das 'off shores' na actividade dos mercados financeiros, como a obrigatoriedade de registos dos fluxos de operações financeiras e a proibição de operações financeiras cujos destinatários sejam desconhecidos.

Quanto à possibilidade de o BCP ter comunicado ao Banco de Portugal, em 2001, a existência de cinco das 17 'off shores' que o governador do Banco de Portugal afirmou terem sido ocultadas pela administração do banco, João Semedo considera que se "trata de mais um episódio" demonstrativo da negligência da entidade supervisora do sistema bancário. "Tenho a certeza que outros se seguirão", acrescentou.