O Governo tem vindo a defender o actual traçado da CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa) dizendo que esta obra leva em conta a preservação do aqueduto das águas livres, através da passagem em túnel nesta zona. Um compromisso que, com a descoberta de uma nova galeria, pode estar colocado em causa, exigindo uma revisão dos actuais planos e propostas do Ministério das Obras Públicas.
De acordo com os moradores, no decorrer das obras da CRIL, quando estavam a ser feitas escavações junto à parede do Aqueduto das Águas Livres na zona da Buraca, é descoberta uma Galeria "pegada" ao Aqueduto, com cerca de 50 metros, até à data desconhecida. Esta galeria situa-se a uma cota mais baixa que o Aqueduto das Águas Livres, tendo a máquina escavadora aberto um buraco sensívelmente a meio dela. Durante a visita da deputada Helena Pinto ao local foi possível confirmar a existência da galeria, que os técnicos das Estradas de Portugal garantem não ter valor patrimonial e pertencer a uma estrutura cuja demolição já estava prevista.
Contudo, e de acordo com arqueólogos presentes no local, não está afastada a hipótese da Galeria ter valor arquitectónico e histórico, exigindo uma maior investigação, nomeadamente ao nível de possíveis ligações com o aqueduto romano. Nesse sentido, a deputada Helena Pinto anunciou que vai pedir esclarecimentos ao IGESPAR (instituto que resultou da fusão do IPA com o IPPAR), que é o organismo do Estado responsável pela preservação de eventais estruturas de valor patrimonial.
Para lá da questão patrimonial, o Bloco de Esquerda tem criticado o traçado previsto pelo Governo para a conclusão do último troço da CRIL, defendendo um traçado alternativo que respeite as declarações de impacto Ambiental, garanta melhores condições de segurança rodoviária, e respeite os direitos das populações. A comparação entre os dois traçados pode ser encontrada aqui.
