Mesa Nacional reuniu a 28 de março

Mesa Nacional
28 de Março 2026

A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda discutiu a situação política nacional e internacional, com destaque para o aumento do custo de vida provocado pela guerra de Trump e Netanyahu e aproveitado pelos grandes grupos económicos. Ler resolução aprovada.

Resolução da Mesa Nacional Bloco de Esquerda | 28 março de 2026

Defender a maioria que vive do seu salário contra os ataques da direita

1. A agressão militar  de  Israel  e dos  Estados  Unidos  da  América  ao  Irão  confirma  a nova doutrina Trump: espalhar a guerra pelo mundo para garantir o domínio imperialista sobre as fontes de energia. Sem qualquer pudor, Trump desrespeita o direito internacional e as suas instituições em nome dos interesses económicos da indústria petrolífera, tecnológica e da  guerra.  Primeiro,  negoceia  com  Putin  a divisão das  terras  raras  da  Ucrânia.  Depois, ataca ilegalmente a Venezuela e garante acessoàs  reservas  de  petróleo  do  país.  Em  seguida,  utiliza  essa  salvaguarda  para  começar um conflito com o Irão. Ao mesmo tempo, intensifica o estrangulamento ao povo cubano e as ameaças permanentes sobre a Gronelândia, o México e a Colômbia.

2. Os líderes europeus respondem oscilando entre a conivência e as afirmações falhadas de estratégia alternativa. Ora aplaudem a violação do direito internacional e se submetem à agenda dos Estados Unidos da América, ora defendem o aumento dramático da despesa militar da Europa para disfarçar de garantia de uma suposta autonomia estratégica aquilo que, na verdade, épura subserviência aos diktats de Trump. O secretário-geral da NATO admite que a aliança serve os interesses da Casa Branca  e a presidente da Comissão Europeia diz que a “ordem internacional baseada em regras” já não serve a Europa. Neste contexto, o Governo  português  permitiu  a utilização  da  Base  das  Lajes  para  a agressão  ilegal,  com  a desculpa  esfarrapada  de que houve uma “autorização tácita”. A tentativa do Ministro dos Negócios Estrangeiros de salvar a face do Governo falando na imposição de“condições”foi um puro embuste: as Lajes já haviam sido usadas para a operação de agressão do Irão e as“condições”em nada impediram que Portugal fosse cúmplice da violação do direito internacional. O Bloco de Esquerda mobiliza-se para exigir que o Governo recuse qualquer alinhamento com os planos imperialistas de Trump e condene todas as agressões ilegais, proibindo o uso da Base das Lajes para qualquer apoioàagressão dos Estados Unidos da América contra o Irão e outros países, participando e empenhando-se na promoção de iniciativas amplas e unitárias que, em vários pontos do país, juntem forças para parar a espiral da guerra.

3.  A guerra  penaliza  os  povos  e favorece  as  elites  que acumulam lucros gigantescos com  a crise  e o aumento do custo de vida. O custo das bombasépago aqui mesmo. De semana a semana, o preço dos combustíveis, a conta do supermercado e a prestação da casa aumentam. O resultadoédevastador para a esmagadora maioria da população:  quem  trabalha  vê-se confrontado com despesas incomportáveis, enquanto as grandes petrolíferas, as distribuidoras e a banca registam lucros extraordinários. Quem está  ainda  a refazer  a sua  vida  depois  da  devastação  das  tempestades  vê-se obrigado a fazê-lo com os preços a subir em flecha e com atrasos na resposta do Governo e das seguradoras. Estes atrasos obrigam a um maior endividamento das populações  afetadas.  O Bloco  exige  que  as peritagens cumpram os prazos a que estão legalmente obrigadas e defende igualmente a indemnização das populações e empresas pelo tempo das interrupções prolongadas do fornecimento de eletricidade, gás e comunicações pelos operadores privados respectivos.Sendo certo que a conquista do lay-off a 100% para quem trabalha, avançada pelo Bloco,é um passo em frente no apoio a estas populações., o Bloco de Esquerda  mobiliza-se  para  defender  quem  se  confronta  com  a  crise,ésob este mote que lançamos uma campanha nacional para juntar gente e defender a maioria que trabalha, exigindo o aumento de salários e pensões, a regulação dos preços  dos  combustíveis,  do  gás  e  do  cabaz alimentar, a redução do IVA a zero nos bens alimentares essenciais, um  imposto  sobre  lucros  extraordinários  das petrolíferas, distribuidoras e banca. O Bloco de Esquerda reitera o imperativo do controlo público deste setores fundamentais para a economia e para a nossa soberania coletiva. São estas as medidas que distinguem uma política de esquerda de uma política que protege quem já lucra com a crise.

4. O acentuar da crise energética agrava dramaticamente a necessidade de fazer uma transição energética justa e realmente ecológica, promovendo a pequena produção descentralizada e recusando os grandes centros energéticos destruidores, assim como a necessidade de multiplicar os investimentos em transportes públicos em todo o território  e a gratuitidade  dos  mesmos.  Mas  o  Bloco  de  Esquerda  recusa  todas  as estratégias de disfarce do capitalismo predatório pela naturalização de uma“economia verde” que garantem a perpetuação da delapidação dos recursos naturais e que reproduzem dinâmicas de exclusão e degradação ambiental.

5. A crise na habitação continua a agravar-se e os seus efeitos agudizam-se. Os despejos aumentaram 40% em 2025, e o Governo avança com medidas para os facilitar  ainda  mais.  Em  vez  de  intervir  para  proteger  os  inquilinos  e as  famílias,  Luís Montenegro intervém para proteger  o mercado  especulativo,  como  se  esta  crise  não fosse o resultado do  funcionamento  desse  mercado.  As  manifestações  pelo  direitoàhabitação juntaram milhares de pessoas pelo país e mostram o caminho para vencer a crise  de  habitação:  trabalho  unitário  e amplo  para  reforce  a mobilização popular para regular  as  rendas,  combater  a especulação  imobiliária  e eliminar os benefícios fiscais que a promovem, proteger os inquilinos e apresentar alternativas sólidas a uma economia assente no turismo. O Bloco de Esquerda faz seu esse compromisso com  todo  o  trabalho  unitário  que  dê  força  ao  movimento  de  defesa do direitoàhabitação de todos, contra a transformação do imobiliário em mero ativo financeiro para enriquecimento de uns poucos.

6. A contrarreforma laboral proposta pelo Governo pretende alterar a longo  prazo  a relação  entre  trabalho  e capital  e agravará a todos os níveis a crise de custo de vida. As  alterações  ao  trabalho  não  declarado,  por decreto, são exemplo disso. Beneficiam as empresas incumpridoras, já que reduzem a presunção da existência de contrato de trabalho  de  12  para  3 meses.  O.  O corte  no  pagamento  das  horas  extraordinárias,  a eternização  da  contratação  a termo e o ataqueàcontratação coletiva continuam esse caminho de fragilização de quem trabalha. Este Executivo demonstra o seu autoritarismo ao recusar o diálogo com a maior central sindical do país, a CGTP,  e prepara a aprovação do pacote laboral com a extrema-direita, apesar da recusa explícita  que  a greve  geral  afirmou.  A contrarreforma  laboral  será  o teste  de algodão para o novo Presidente da República: ou se opõe ao ataque aos direitos laborais e ao Código do Trabalho, posicionando-se do lado da Constituição, ou vai atrás da direita e da extrema-direita e permite um profundo recuo social no país. Das ruas às empresas, a recusa do pacote laboral é uma prioridade da luta social e do Bloco de Esquerda, que organizará, em parceria com o The Left, um Encontro de Trabalho a 23 de maio para consolidar uma resposta ao Governo através da participação e promoção de iniciativas amplas e unitárias para resistir  ao  ataque  das  direitas contra quem trabalha.

7.  Os  ataques à liberdade intensificam-se a nível local e nacional. A direita continua o saneamento político de quadros qualificados na saúde ou na cultura, onde quer impor a sua  agenda  e silenciar  quaisquer  vozes  de  contestação  ao  seu programa. A retração da autonomia da Agência LUSA, preparando uma fusão com a RTP, inscreve-se claramente nessa linha de atuação. Na Assembleia da República, a direita quer censurar o hasteamento de bandeiras LGBT+ em edifícios públicos e ataca a liberdade das pessoas trans contra todos os pareceres científicos. O Bloco não hesitou e cumpriu

o seu papel, conjugando iniciativa legislativa para  promover  os  direitos  das  pessoas trans e a mobilização das milhares de pessoas que escreveram aos partidos proponentes a rejeitar o retrocesso.  A  defesa  da  democracia  tem  na  sua  linha  da frente a defesa da liberdade, contra o  obscurantismo  anti-científico  e  o  sufoco cultural que a direita mais bafienta quer impôr à sociedade portuguesa. No combate  a  esse  ataqueàliberdade joga-se muito da democracia portuguesa e o Bloco faz desse combate uma prioridade da sua intervenção política.

8.  A  incompetência  na gestão das tempestades e o isolamento face ao pacote laboral fragilizaram o Governo de Luís Montenegro. Nessa vulnerabilidade, Passos Coelho voltou a aparecer para garantir que a direita cada vez  mais  extremada  do  PSD  e a extrema-direita do Chega podem governar em conjunto. Uma parte das elites económicas do país não esconde a sua impaciência e aponta como solução a maioria de  direita extrema para aprofundar a proteção dos seus lucros e o seu poder sobre o país. Ao mesmo tempo, a direita une-se para controlar o Tribunal Constitucional com o objetivo de impor uma agenda de recuos sociais e económicos e consolidar uma maioria para rever a Constituição. O caminho para a alternativa só pode ser construído com uma resposta política para a maioria que vive do seu salário, contra a crise  do  custo  de  vida  e  pela  liberdade.Éessa  a  política  do  Bloco  de Esquerda, que se empenha no diálogo amplo para uma política comum pela democracia e liberdade, que devolva a esperança aos  portugueses  e  retome  o caminho de justiça social, dignidade e qualidade de vida para quem vive do seu salário.